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24/07/2008

SHOOT OUT COM...Emanuelle Lima

O andeboldepraia.blogspot.com conseguiu um exclusivo para Portugal da Melhor Marcadora do Mundial de Cádiz, a brasileira Emanuelle Lima, nome de guerra "Manu". Além deste prémio, Manu foi considerada a Melhor Lateral do evento. Os seus 87 pontos em muito contibuiram para a medalha de bronze do Brasil neste Campeonato do Mundo de 2008. Manu é também a cover do cartaz do 48HORAS DE ANDEBOL DE PRAIA - ESPINHO 2008.Emanuelle tem 28 anos, joga a lateral e a pivot na areia e a pivot no indoor. O seu currículo é valiosíssimo, descando-se além destes prémios individuais conseguidos em areias espanholas, vários títulos no Brasil e vários prémios individuais. Em 2003, foi convocada para a selecção olímpica permanente brasileira (treinamento para o Pan – Santo Domingos) e em 2004 surge a convocação para seleção brasileira de Beach Handebol, que no Egipto seria 6ª classificada. Entretanto, em 2005, é também considerada a Melhor Pivot da Liga Nordeste de Andebol Feminino. Nesse mesmo ano, seria tricampeã, artilheira e destaque do Campeonato Intermunicipal Cearense Adulto Feminino. Em destaque é convocada para os World Games na Alemanha, onde se sagra campeã. Este título seria um aviso para o que se seguiria no Rio de Janeiro em 2006: Campeã do Mundo de Andebol de Praia, numa dupla consagração brasileira. Em 2007, junta mais alguns títulos ao seu currículo:
Copa dos campeões Fortaleza Campeã Adulto Feminino
Liga Nacional (Adulto) 3 colocado
Copa internacional unisinos (Rio grande do sul) campeã e artilheira
Jirgs( jogos do interior do Rio grande do Sul) vice-Campeã
Campeonato Gaúcho vice-campeã
E no presente ano, já são notáveis as suas façanhas:
Iberoamericano- Uruguai (Beach Handebol) Adulto Feminino: Campeã
Panamericano- Uruguai (Beach Handebol) Adulto Feminino: Campeã
Torneio Internacional-Algeciras-(Beach Handebol) Adulto Feminino: Campeã

Ficam então as questões e as respostas da simpaticissima Manu, a quem agradeço toda a disponibilidade, atenção e carinho:
- Quando começaste a jogar beach handball?
R- Bem..comecei a jogar muito cedo, onde ainda era o handebol de praia tradicional, onde se jogava com 6 jogadoras de linha, mais a goleira e a bola era a mesma que se joga na quadra.
- Onde treinas e quantas vezes por semana?
R- Quando esta proximo a alguma competição, por exemplo 2 a 3 meses, eu treino todos os dias sempre após a musculação., Quando naquele ano nao terá competição alguma de praia a nivel internacional eu treino de 3 vezes por semana.
- O que achas desta modalidade?
R- Acho simplesmente sensacional, um jogo altamente, vibrante, dinâmico, com jogadas expetaculares, um jogo mais de habilidade e inteligência do que propriamente de força. Acho legal que nao importa o quanto um equipe seja mais experiente que a outra, no jogo elas sempre se igualam e por ser um jogo imprevissivel.

- O que representa para ti, teres sido considerada a melhor lateral do Campeonato do Mundo em Cádiz e ainda a melhor artilheira?
R- Sinceramente, fiquei feliz, e como se o trabalho tivesse sido recompensado, um trabalho nao so meu, mais um trabalho de toda a equipe, desde a comissao tecnica, minha tecnica (que é a melhor do mundo), e das minhas amigas e companheiras de jogo, pois tudo que eu consegui eu devo a elas. È um esporte que tem como ponto forte a confiança, e nos confiamos uma na outra, e essa e a nossa diferença. Trocaria todas esses titulos individuais, por um unico titulo que era ser tri campeã de beach handebol.
- Podes fazer um resumo da participação brasileira (femininos) neste mundial?
R- O Brasil no mundial de Cádiz, fez seu papel, cumpriu com a suas expectativas que era trazer para o Brasil uma medalha, certo que nao foi a de ouro como de constume, mais que fizemos o nosso papel. Verdade, que foram jogos difíceis, onde cada vez mais as equipes estao se preparando e querem sempre usufruir dos louros da vitória que essa competicao esta proprocionando, pois o beach handebol é uma modalidade em ascensão, que cada dia toma mais espaço na mídia e enche de prazer os olhos de quem tem a oportunidade de assistir esse esporte maravilhoso. Mais no que diz respeito pra nós, foi que as vezes, mesmo sem explicações erros e fatalidades podem acontecer e esse foi nosso momento.Uma equipe como a nossa que nao erra quase nunca e ate entao naquele momento nao tinha errado, deu de errar no unico momento que nao poderiamos o que nos tirou na final, algo sem cometarios, poderia até te falar sem medo algum, que se nos jogassemos de novo aquele jogo dificilmente perderiamos, como nunca haviamos perdido antes pra essa mesma equipe. Pensei muito tentando achar um por que, depois de muito pensar cheguei a conclusão que nao era pra ser, que tudo estava escrito, que talvez nao era da vontade de Deus que esse torneio fosse nosso. Foi um momento de muita tristeza e dor nossa derrota, mais tivemos que nos manter firme, levantar a cabeça e dar a volta por cima, pois no dia seguinte haveria um jogo tao quao importante que era a disputa de 3 lugar, que pra nos e muito honrado e digno. Fomos 3 lugar e estamos muito felizes pois pense bem..quantas equipes boas de competencia queriam esta no nosso lugar?
- Também jogas na quadra?
R- Jogo sim. Jogo numa equipe do Rio Grande do Sul, normalmente participo da liga nacional, uma competição de muita importancia aqui do Brasil, onde participam as equipes mais fortes. Ano passado minha equipe ficou em 3 lugar, foi otimo por meu time ser novo e de pouco experiencia.
- Achas que o beach handball deve ser modalidade olímpica?
R- Com certeza, até hoje me pergunto o por que de ate hoje nao ser. Acredito que no inicio as pessoas “leigas”, nao saberiam do que se tratava, mais que logo o beach handebol entraria no coração e na almas dessas pessoas que gostam de esportes que além de muitos gols ainda assistiriam a espetáculos.

11/03/2008

SHOOT OUT COM O SR. ANDEBOL DE PRAIA


As promessas pagam-se! Apesar de já passarem 50 minutos das 24h, aqui vai a entrevista com aquele que é considerado o pai do Andebol de Praia no nosso país. Além deste cognome, o Professor António Canelas é o Seleccionador Nacional de Seniores Masculinos de Andebol de Praia e o Coordenador da Comissão Técnica Nacional e acedeu gentilmente e num grande espírito de fair play a este desafio.

Vamos então ao
Shoot Out com o
Prof. ANTÓNIO CANELAS:

O Andebol de Praia é um fenómeno global?

Na minha opinião, o Andebol de Praia, é um desporto cada vez mais praticado à escala mundial. Todas as grandes potências do Andebol investem nesta vertente do Andebol! Convenhamos que é uma modalidade atraente, espectacular, que alia um certo divertimento a muita competitividade, sol e fair play. Aliás repare-se como uma das grandes potências mundiais é o Brasil, que evoluiu de forma fantástica, chegando ao título mundial em casa, quer em masculinos, quer em femininos. Depois, temos a Espanha, que é outro caso fantástico, ex- campeã da Europa, título conseguido em 2006, em Cuxhaven, na Alemanha, país que surpreendeu todos ao vencer em femininos. Em 2007, no 5º Campeonato Europeu em Itália, os vencedores foram dois países de leste: Rússia nos masculinos e Croácia nos femininos.
Depois temos a EHF, que tem feito um grande investimento no Andebol de Praia, quer ao nível de divulgação e formação dos agentes, quer com o lançamento da EBT Tour, um marco no Andebol de Praia internacional, ao qual Portugal desde logo aderiu, com organizações e equipas inscritas nesta liga europeia.

E em Portugal? Como estamos de Andebol de Praia?

Bem, vamos para o 8º Campeonato Nacional o que só por si já quer dizer alguma coisa. Agora é preciso a colaboração de todos para crescermos ainda mais. Repare que na época passada, pela primeira vez, se fez os apuramentos a nível regional, tendo-se alterado por completo a estrutura competitiva e os modelos de apuramento, que redundou num grande sucesso, pois atingiu-se a massificação da modalidade. Temos milhares de praticantes, milhares de jovens interessados nesta vertente, várias organizações de grande nível e já cativamos muito público. Agora está na hora de organizarmos um grande evento internacional como um Campeonato do Mundo ou um Europeu!

Então… qual o passo seguinte?

Corrigir algumas lacunas importantes! Desde logo rever o número de equipas a apurar para a Fase Final, para não termos 54 equipas, o que se torna impraticável para qualquer organização, além dos custos, todo o suporte em meios logísticos, de alojamentos, alimentação, etc! Depois, e fundamental, aproveitar esta massificação de praticantes e evoluir ao nível competitivo. Ou seja, menos equipas na Fase Final, mas mais jogos por equipa! Evoluir ao nível do jogo espectacular, para cativar os meios de comunicação e por consequência sponsors, para diminuir o custo, tanto ao nível das organizações locais como da Fase Final.

Perspectiva-se uma mudança na organização do 8º Campeonato Nacional?

Não uma mudança radical…mas temos que dar mais qualidade aos praticantes, que investem bastante a nível pessoal para praticar esta modalidade! A forma a apurar deve ser a mesma, após uma fase regional. Agora, dentro do espírito do andebol de praia, foram tidas em conta várias sugestões e recomendações de agentes intervenientes! É importante, que durante 3 dias, as pessoas se sintam bem, que estejam apenas focadas na competição. Por isso, é inevitável reduzir o número de equipas na Fase Final.

A aposta na competição jovem é para manter?

Aí também vamos fazer uma pequena alteração ao nível das idades, fazendo um ajustamento à realidade europeia, sendo que a adaptação, é fruto da organização do 1º Campeonato Europeu de Andebol de Praia Jovem (para nascidos em 1990-1991) na Hungria, sob a égide da EHF.

Ao nível da Selecção, Portugal teve uma brilhante participação em Cádiz 2002 e depois não esteve em mais nenhum palco internacional?

Foi realmente uma participação brilhante no Europeu de Cádiz 2002, onde conseguimos o 7º lugar. O grupo era fantástico e conseguimos um feito até hoje inigualável, tendo em conta que em 2002, o Andebol de Praia era ainda uma modalidade a dar os primeiros passos! Hoje, perante a nossa realidade competitiva e o leque alargado de atletas vocacionados para esta vertente, permitir-nos-ia encarar de outra forma este tipo de competição e obter ainda mais sucesso! Só que primeiro há que driblar o problema financeiro para podermos estar novamente em palcos europeus e a partir daí apurar para os Mundiais, onde certamente também teremos uma palavra a dizer! Aliás estive no último Campeonato do Mundo no Brasil e atestei isso mesmo: temos capacidade para ombrear internacionalmente e conseguir bons resultados para o nosso país.

Para concluir…

Resta-me desejar boa sorte a este espaço, fundamental para quem gosta de Andebol de Praia e terminar dizendo que o Andebol de Praia já faz parte obrigatória das agendas de Verão. A realidade observada ao longo deste passado recente, é que existe uma prática crescente da modalidade por todo o país. Um crescente de praticantes, de organizações paralelas ao circuito nacional e sem dúvidas algumas, tudo isto gera uma onda entusiasta de espectadores e fãs da modalidade, que ocorrem em grande número às praias portuguesas, para assistirem uma modalidade dinâmica, cheia de espectacularidade e muito fair play. Assim, esperamos em 2008, um Campeonato Espectacular, com grandes organizações, muita competição e fair play.